Minha Porto Alegre

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Eu não acredito em depressão, então porque ?


Na minha primeira sessão de terapia falei: não acredito em depressão. A doença não existe é uma fuga. Muitas sessões se passaram, rios de lágrimas rolaram , vontade de fugir, de sumir´, de não sair mais do consultório e ficar lá falando, falando e deixando tantas portas trancafiadas se abrirem e os monstros escaparem. Não era depressão, eram esse monstrinhos que entram dentro da gente e ficam ali causando feridas e tornando-se pesados fardos. Chega um momento que eles crescem tanto e procriam também que acabamos não tendo espaço para mais nada dentro de nós, só para eles e toda a dor que nos causam. A terapia nos ajuda a abrir as portas e deixar um a um partir. Confesso que no início senti um vazio. O que vou fazer com esse espaço ? Não sei se sei viver sem eles !! E acreditem, mesmo abrindo a porta, muitos não vão embora em definitivo. Ficam na espreita, esperando um leve chamado nosso para voltarem para nossas entranhas.

Chamamos de depressão o nosso medo. Medo de não conseguirmos, de não sermos amados, aprovados, acolhidos, perdoados, escolhidos, protegidos, enfim carregamos a culpa do pecado original. Buscamos a perfeição, somos feitas a imagem e semelhança do mais perfeito que há, mas a culpa nos leva ao medo e o medo no leva a alegria de viver.

Estou aprendendo a me libertar dessa amarra, sei que não poderei voar se as pedras continuarem presas a mim...

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